{"id":1822,"date":"2021-03-23T00:00:00","date_gmt":"2021-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/joanafranco.pt\/?post_type=textos&#038;p=1822"},"modified":"2025-11-17T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-17T16:33:57","slug":"um-olhar-sobre-corpos-dancantes-e-corpos-escultoricos","status":"publish","type":"textos","link":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/textos\/um-olhar-sobre-corpos-dancantes-e-corpos-escultoricos\/","title":{"rendered":"Reflections on dancing and sculptural bodies [pt]"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Linhas.<\/em><br>Linhas coloridas horizontais (telas). Linhas coloridas verticais (bailarinos).<br>Cruzamentos de linhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Composi\u00e7\u00e3o.<\/em><br>Composi\u00e7\u00f5es com (v\u00e1rias) posi\u00e7\u00f5es. Aleat\u00f3rias.<br>A todos os instantes h\u00e1 uma nova rela\u00e7\u00e3o entre as linhas que se desenham no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Mobilidade.<\/em><br>Os bailarinos de Cunningham s\u00e3o tamb\u00e9m corpos escult\u00f3ricos.<br>As telas de Stella s\u00e3o tamb\u00e9m corpos m\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<em>Scramble<\/em>, Merce Cunningham e Frank Stella, 1967).<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A carne.<\/em><br>H\u00e1 um (sozinho) corpo humano que n\u00e3o \u00e9 mais humano, que volta a um estado anterior ao primitivo.<br>\u00c9 m\u00fasculo e pele.<br>A experi\u00eancia f\u00edsica daquele seu espa\u00e7o, limitado ao assento mas aberto a toda a verticalidade, manifesta-se nesse m\u00fasculo e nessa pele. Extravasa-os pela voz.<br>O corpo humanizado d\u00e1 lugar ao corpo pl\u00e1stico, irreconhec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O ferro.<\/em><br>Negro e frio. Austero e seguro. \u00c9 posto de controlo mas tamb\u00e9m bal\u00e3o de ar quente. Frio e quente.<br>Faz um convite imposs\u00edvel: aqueles assentos n\u00e3o s\u00e3o para o nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A verticalidade.<\/em><br>A estrutura de ferro procura a verticalidade em quase todos os seus elementos. Os altos trip\u00e9s, as esferas quase flutuantes, ambos se elevam. Mas os assentos pendem no sentido contr\u00e1rio, no sentido da Terra. Porque t\u00eam dois corpos que n\u00e3o resistem \u00e0 for\u00e7a da gravidade (um est\u00e1 mesmo l\u00e1, o outro imagina-se).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Um \u00fanico corpo.<\/em><br>De carne e de ferro.<br>Uma exist\u00eancia cont\u00ednua, que n\u00e3o vem de nenhum lado, n\u00e3o vai para nenhum lado.<br>O ferro \u00e9 a casa, a pele \u00e9 a chave da porta.<br>Mas h\u00e1 uma janela que permanece aberta: sobra um assento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O duplo.<\/em><br>\u00c9 poss\u00edvel produzir duas estruturas de ferro iguais. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel existirem dois corpos humanos iguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<em>Comer o cora\u00e7\u00e3o<\/em>, Rui Chafes e Vera Mantero, 2004)<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Desembrulhar.<\/em><br>Um cubo. Abrem-se as portas para dentro e para fora do cubo.<br>A dan\u00e7a de abrir e fechar a caixa: a escultura dan\u00e7a com as suas articula\u00e7\u00f5es.<br>Abrem-se e fecham-se vazios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O vazio.<\/em><br>A caixa \u00e9 feita de madeira, de a\u00e7o, de espelho e de vazio.<br>Fora da caixa \u00e9 o mundo, dentro da caixa \u00e9 o vazio. Deixar o mundo para ir experimentar o vazio.<br>No vazio, tudo pode acontecer. Um vazio encaixilhado: vai daqui at\u00e9 ali.<br>O vazio atrai o corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Prolongamento do vazio.<\/em><br>O espelho prolonga o espa\u00e7o. Duplica o espa\u00e7o e os corpos.<br>O vazio do espelho n\u00e3o \u00e9 real. A imagem do corpo relaciona-se com a imagem do vazio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Convite.<\/em><br>Descobrir novos vazios. Onde cabe o corpo? Como encaixar o corpo? A caixa precisa de corpos a criar espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Os planos.<\/em><br>A escultura cria um espa\u00e7o, planos verticais e horizontais. Os corpos s\u00e3o planos obl\u00edquos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Os arquitetos.<\/em><br>Os bailarinos s\u00e3o arquitetos: modificam o espa\u00e7o. Os seus corpos relacionam-se com os espa\u00e7os de vazio e os espa\u00e7os de caixa. Vestidos de preto, recortam o espa\u00e7o do seu corpo na caixa. A pele, cromaticamente semelhante \u00e0 madeira, \u00e9 o prolongamento org\u00e2nico da caixa. Fragmentos de corpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Brincar.<\/em><br>Os bailarinos est\u00e3o presos ao que j\u00e1 conhecem da escultura. \u00c9 f\u00e1cil esquecerem-se da curiosidade.<br>As crian\u00e7as s\u00e3o os melhores arquitetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>(<em>Caixa para guardar o vazio<\/em>, Fernanda Fragateiro e Aldara Bizarro, 2005)<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">23 de mar\u00e7o de 2021<\/p>","protected":false},"featured_media":2915,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"destaques":[],"textos-category":[135],"class_list":["post-1822","textos","type-textos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","textos-category-diversos"],"acf":{"photo_gallery":{"imagens":[[]]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/textos\/1822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/textos"}],"about":[{"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/textos"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"destaques","embeddable":true,"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/destaques?post=1822"},{"taxonomy":"textos-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joanafranco.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/textos-category?post=1822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}