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Os intérpretes entram na Praça através das escadas e olham o espaço.

Calmamente, espalham-se por toda a largura do mesmo, abrangendo completamente as áreas do arco e das escadas, existindo aqui um novo momento de pausa e contemplação de forma a instalar a cena/imagem.

Findo este, os bailarinos principiam a “varrer o espaço”, i. e., a progredir espacialmente ao longo do comprimento da Praça. Ao manterem, durante a travessia, a sua formação em linha, os intérpretes acabam por abarcar o espaço performativo na sua quase totalidade enquanto realizam movimentos como saltos, rebolares, deslizares e acrobacias, entre outros.

Fotografia: Inês Coimbra

Esta entrada surgiu como resposta à necessidade de existir um momento de apresentação total do site que proporcionasse uma visão geral e dinâmica dos locais a abordar. Inicialmente realizado em caminhada, este “varrer” do espaço foi depois alterado de forma a incluir movimentos enérgicos que mais rapidamente captam a atenção do público e denotam claramente o início da performance.

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0 2   |   L E R   O   E S P A Ç O

No local de transição do Caminho José Saramago para a Praça CCB os intérpretes colocam-se em linha e, voltados para diferentes direções, leem o espaço que veem. Este momento de architectural reading permite evidenciar as características do espaço através de movimentos retos e geométricos realizados em vários níveis e com dinâmica variável; ao mesmo tempo, o facto de não existir progressão espacial resulta na criação de um quadro visual em que o espaço performativo se assume como um pano de fundo de grande importância e expressividade.

Fotografia: Inês Coimbra


Tendo surgido da exploração inicial dos bailarinos Mafalda Tereno, Sofia Portugal e Pedro Sampaio, esta cena foi posteriormente adaptada de forma a incluir todos os intérpretes e o seu conteúdo de movimento desenvolvido pelos mesmos. Tratando-se de uma improvisação, ainda que informada pela arquitetura do espaço, cada um era livre de fazer a sua própria interpretação e leitura do mesmo e tinha a responsabilidade de, em tempo real, se enquadrar no contexto do grupo em termos visuais, rítmicos/dinâmicos e de características de movimento.

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0 3   |   B U R A C O S

Durante a sua exploração individual, Noeli afasta-se da linha onde está o grupo e, ao ver um buraco no chão fala: “OH! It’s a hole!”. Todos cessam os seus movimentos olhando para ela e, em seguida, colocam-se ao seu redor mantendo a atenção no buraco. Noeli faz movimentos circulares com o dedo à volta do buraco enquanto os outros - que estão com o dedo apontado para cima - reproduzem o mesmo movimento. Noeli introduz o dedo no buraco e, ao tirar, exclama o mesmo “OH!” do início, mas agora os demais também o fazem.

Fotografia: Andreia Alpuim

Todos gritam e correm à volta da escultura até chegarem ao outro lado e se depararem com um buraco igual. Cessam os gritos, olhando e apontando para o buraco. Noeli volta a gritar e, novamente, todos a acompanham e correm para o lugar inicial. Joana, Lara e Raquel ficam para trás, pois se apercebem de outros buracos como aqueles. Gisela, Rita N. e Jonathan permanecem no mesmo sítio, pois veem o seu reflexo na escultura e ficam ali a contemplá-la.

Fotografia: Andreia Alpuim

Pedro, que também encontrou novos buracos exclama “OH!” a cada buraco para o qual aponta, até chegar ao buraco inicial e o grupo todo gritar “OH!” e voltar a correr na mesma direção de antes, mas desta vez, a corrida é quase uma queda que os faz deslocar em direção à placa do WC.


Entretanto, Joana, Lara e Raquel repetem a ação de apontar para os buracos que veem e gritar em cada um, até não encontrarem mais buracos no seu percurso e se dirigirem à cortiça.

Fotografia: Inês Coimbra

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0 4   |   X I X I

Ao aproximarem-se, em desequilíbrio, da placa que indica o WC, os intérpretes assumem uma atitude de quem sente a necessidade de fazer xixi e ficam aflitos a entreolharem-se e a olharem para a placa. Emitem ainda sons de inquietação, que correspondem também às suas ações e movimentos. O apontar, que antes se dirigia aos buracos no chão, agora volta-se para a placa e para a direção que ela indica.

Fotografia: Andreia Alpuim

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0 5   |   C O R T I Ç A   1

Joana, Lara e Raquel são as primeiras a habitarem a cortiça e posicionam-se na única parte pintada de vermelho. Dali, partem para uma tentativa de preencher, com cor, aquela instalação utilizando, para isso, principalmente as suas saias. Os movimentos e as transições são livres, e sempre com o objetivo de encontrar um espaço que ainda não esteja habitado e “pintá-lo” de vermelho. O corpo, muitas vezes, encaixa-se no formato geométrico da cortiça. Ao atravessarem a instalação, chegam ao ponto mais alto e assumem a posição com os “binóculos”, como se quisessem avistar algo mais além, ou poder ver melhor o que se passa ao redor.

Fotografias: Inês Coimbra

Enquanto isso, o grupo que estava na placa do WC invade a cortiça como se ali fosse a casa de banho. Sentam-se e fazem uma respiração de alívio, como se toda a aflição anterior acabasse. Em seguida, Noeli, Lia e Rita C. também seguem “pintando” o espaço, mas com posições mais passivas, sempre sentadas ou deitadas.

Fotografia: Andreia Alpuim

Entretanto, Pedro, Mafalda e Sofia levantam-se e olham para o céu, que os cega pelo excesso de luminosidade. Sofia e Mafalda utilizam as suas saias para taparem a cara, enquanto Pedro, por não ter saia, adapta esta ação para um movimento com os braços para trás da cabeça. Os intérpretes desenvolvem essa ação até uma criarem pequena coreografia de braços que os leva a deslocarem-se pela instalação.

Fotografia: Inês Coimbra

Gisela, Jonathan e Rita N. juntam-se aos demais e colocam-se na instalação assumindo uma situação de seguranças que observam tudo o que se passa à volta. Aos poucos, incorporam algumas ações dos outros intérpretes, nomeadamente, os binóculos, o pintar o espaço com a saia e preencher os espaços vazios da instalação.

Fotografia: Inês Coimbra

A cena sofre uma modificação no momento em que Pedro - observado através dos binóculos de Joana, Lara e Raquel - faz uma sequência de movimentos que o leva até ao chão, criando um arco com as costas e elevando as pernas, mas que parece não ser concluída, pois ele volta para trás e a recomeça repetidas vezes. Na última vez que a executa, as suas pernas passam para o outro lado e ele fica caído no chão. Com isso, Joana, Lara e Raquel desfazem os binóculos emitindo um som de surpresa e conquista. A seguir, todos ficam em pausa, e Raquel emite um alto e agudo “ai ai ai ah…” que marca o início de uma movimentação extremamente lenta por parte dos intérpretes. Com esta qualidade de movimento, Joana, Lara e Raquel caem cortiça abaixo, enquanto os demais retomam as suas ações anteriores.

Fotografias: Flávia Lamego e Joaquim Leal

Pouco a pouco, os intérpretes abandonam a cortiça. O primeiro trio a fazê-lo é o formado por Gisela, Jonathan e Rita N., que se deslocam para o cogumelo (dando início a esta nova secção simultaneamente). O segundo é o de Lia, Noeli e Rita C. que também vão para o cogumelo. O terceiro é o de Mafalda, Pedro e Sofia que se posicionam nos lixos e postes para dar início a esta nova secção. Enquanto isso, Joana, Lara e Raquel ficam no limite da cortiça, quase caindo e com movimentos suaves (como se estivessem a ser afetadas pelo vento). Apenas abandonam essa situação quando ouvem Lia, Noeli e Rita C. a falarem sobre o cogumelo, passando então, para a secção dos cadernos.

Fotografia: Andreia Alpuim

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0 6   |   C O G U M E L O

Tal como referido anteriormente, os primeiros intérpretes a dirigirem-se para o cogumelo, abandonando a cortiça, são Gisela Ferreira, Jonathan Taylor e Rita Nogueira. Estes deslocam-se pela fita branca do chão e Taylor, que lidera a fila, aproxima-se do cogumelo como se lhe fosse tocar, desencadeando um grito forte de “NÃO” de Rita e Gisela, que colocam as mãos à frente do corpo com as palmas viradas para a frente num gesto de “stop”. Tendo surgido da exploração inicial destes três bailarinos, esta situação evidencia a proibição de tocar na escultura sinalizada por indicações escritas no chão e é repetida de uma forma mais suave, sendo depois mantida a posição das mãos referida.

Fotografia: Inês Coimbra

Voltando a formar uma fila, de ordem Taylor - Rita - Gisela, os intérpretes aproximam-se do cartaz que promociona a exposição “Trash - Lixo de Artista” de Pires Vieira no Museu Coleção Berardo (Museu Coleção Berardo, 2019) e realizam um movimento semelhante ao gesto de cavar, destacando assim a pá figurada no anúncio (ver abaixo).

Fotografia promocional da exposição (Museu Coleção Berardo, 2019)

Findo este momento, cada bailarino coloca as mãos nos ombros do colega que se encontra à sua frente e, desta forma, seguem para a sua intervenção na secção 07 (Lixo e Postes).

É nesta altura que Lia Abreu, Noeli Kikuchi e Rita Carmo saem também da instalação de cortiça e se dirigem ao cogumelo, principiando uma conversação improvisada que se debruça sobre a natureza do mesmo, i.e., se será venenoso ou sadio, e, mais uma vez, na proibição de lhe tocar.

Fotografia: Inês Coimbra

Durante este momento as intérpretes vão se deslocando em redor da escultura, evidenciando as suas palavras e intenção através de um gesticular amplo e por vezes interagindo com o grupo que, paralelamente, instala a cena dos Cadernos (secção 08).


ver referências

Museu Coleção Berardo. (2019). Pires Vieira. Trash – Lixo de Artista. Consultado em julho 18, 2019, em http://pt.museuberardo.pt/exposicoes/pires-vieira-trash-lixo-de-artista

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0 7   |   L I X O   E   P O S T E S

Esta secção decorre ao longo do muro que ladeia a Praça desde a escultura do cogumelo até ao arco e baseia-se na interação com o mesmo e com os candeeiros (postes) e caixotes do lixo que se encontram espalhados ao longo do seu comprimento.


Durante o processo de trabalho surgiram, integradas nas propostas iniciais dos intérpretes, várias abordagens únicas a este local que foram sendo aperfeiçoadas e desenvolvidas independentemente umas das outras - isto permitiu que, posteriormente, o orientador Francisco Pedro as compusesse e articulasse de maneira a criar uma macroestrutura dinâmica e rica que assegurasse também a ocupação total do espaço. Numa fase final do processo os bailarinos foram encorajados a encontrar formas de se relacionarem com as microestruturas e/ou cenas paralelas à sua, tendo surgido assim, através de improvisação, momentos de interação entre as mesmas que garantem a coesão de grupo.


Os primeiros intérpretes a dirigirem-se para este espaço são Jonathan Taylor, Rita Nogueira e Gisela Ferreira que, formando uma fila, vão progredindo ao longo do muro até se depararem com um poste, momento no qual o agarram com a mão direita e criam uma situação de tensão corporal e off-balance. A ideia transmitida é que os bailarinos estão a tentar descolar as suas mãos do candeeiro, sendo isto evidenciado não só pela atitude corporal, mas também pelas suas expressões faciais e pequenos sons de frustração e esforço. Ao finalmente se libertarem, voltam a organizar-se em fila mantendo, no entanto, as mãos direitas unidas tal como se encontravam no poste, e continuam a sua travessia sendo que, ao passarem por um caixote do lixo, executam com estas um gesto que se assemelha ao colocar algo neste.

Eventualmente Taylor, Gisela e Rita aproximam-se do segundo candeeiro e repetem a abordagem já acima descrita; contudo, desta vez, trocam a mão direita pela esquerda durante o off-balance e, ao invés de se “descolarem” do poste, simplesmente abandonam a atitude corporal de tensão e ficam a olhar para os restantes bailarinos. Por esta altura já o grupo composto por Lia Abreu, Noeli Kikuchi e Rita Carmo se encontra no cogumelo e executa a sua intervenção, permitindo a Gisela criar uma relação ao imitar os gestos e expressões faciais destas intérpretes.

Fotografia: Inês Coimbra

A dado momento Mafalda Tereno, Sofia Portugal e Pedro Sampaio deixam a instalação de cortiça e dirigem-se também ao muro, onde principiam a criar construções corporais e interações com os objetos (escalar os postes, sentar-se nos caixotes do lixo, entre outros) que evidenciam as características do espaço. À medida que isto decorre, estes bailarinos vão progredindo na direção do arco permitindo que, a certa altura, Lia Abreu, Noeli Kikuchi e Rita Carmo se integrem na sua intervenção.

Entretanto, Taylor, Rita e Gisela tinham estado a observar e a relacionar-se com os restantes grupos ao assumir posições corporais semelhantes às deles - esta interação é quebrada incisivamente quando os três se dirigem para o segundo caixote do lixo e ficam apenas a olhar para ele, em círculo, fechando-se e desligando-se totalmente das outras microestruturas. Nesta posição, colocam as mãos direitas umas por cima das outras sobre o caixote, elevam-nas e depois realizam um movimento direto e forte para baixo; isto repete-se após a adição da mão esquerda.

Fotografia: Joaquim Leal

Findo este momento, inicia-se a secção 9 (Acrobacias) e Taylor, Rita e Gisela retomam a exploração do espaço do muro, sendo que esta os leva até ao arco de forma a iniciarem esse novo momento.

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0 8   |   C A D E R N O S

Joana, Lara e Raquel saem da instalação e dirigem-se aos cadernos que estão no chão, junto da cortiça, por cima das pedras pretas. Cada uma pega num caderno e, assim, dão início a um jogo que consiste em deslocar-se sobre os quadrados pretos, batendo com o caderno no chão como forma de direcionar o corpo no espaço. Iniciam uma trajetória em direção ao cogumelo e, ao se aproximarem, sentam-se, abrem os cadernos e assumem uma situação de estudar a cena.

Fotografia: Flávia Lamego

Ao fim deste breve estudo, fecham os cadernos com força e retomam o jogo, agora em direção ao arco, procurando sempre tocar no maior número de quadrados possível. Ao chegarem aos últimos quadrados antes do arco, sentam-se novamente, abrem os cadernos e voltam a observar e estudar a cena. Ao verem que todos os outros intérpretes estão deitados no chão, fecham os cadernos, batem-nos no chão uma última vez e juntam-se ao grupo.

Fotografia: Joaquim Leal

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0 9   |   A C R O B A C I A S

Esta secção decorre ao mesmo tempo que o grupo dos cadernos avança em direção ao arco e apenas acontece nas pedras que formam linhas perpendiculares no chão. Os intérpretes que se encontravam nos postes e caixotes do lixo começam a percorrer estas linhas com as restrições de apenas poderem pisar essas linhas e quando se encontram com alguém nos cantos deverão interagir com os mesmos de forma a poder continuar o seu caminho. Este grupo deverá ocupar todas as linhas do recinto obrigando-os a percorrer toda a praça com diversas formas de locomoção. As diversas formas de locomoção foram então chamadas de “acrobacias” - que deram nome a esta secção. Os bailarinos percorrem o espaço utilizando os vários níveis - alto média e baixo. Estas deslocações são interrompidas por situações mais acrobáticas, como rodas, pinos, saltos, rebolares, entre outros. Estes são feitos em função das linhas que os bailarinos vão percorrendo, sendo que cada um adopta a ordem e acrobacia que lhe convier - quando se deparam com outro corpo, saltam ao eixo, como forma de ultrapassar esse ‘obstáculo’. De forma dinâmica e variada, os corpos criam interessantes ritmos visuais, evidenciando através de movimentos mais orgânicos, aquilo que são as linhas geométricas do chão da Praça.

Fotografias: Joaquim Leal e Andreia Alpuim

Gradualmente, os intérpretes vão-se deslocando na direção do arco, onde se começam a dispor em fila, deitados no chão de barriga para baixo, ao longo do limite desta zona.

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Terminando a sua intervenção na secção 07 (Lixo e Postes), Rita Nogueira, Jonathan Taylor e Gisela Ferreira chegam à zona do arco e caminham sob este enquanto observam as cenas que decorrem paralelamente, a saber, Cadernos (08) e Acrobacias (09). Ao atingirem o final desta travessia, deitam-se formando uma fila com a mesma ordem, ficando em pausa enquanto os restantes bailarinos terminam as suas intervenções e se vão juntando a esta figura, formando uma linha que abarca todo o comprimento do arco.

Fotografia: Andreia Alpuim

Quando a imagem já se encontra instalada e depois de uns momentos de pausa, todos os intérpretes recuam a bacia, sentando-se nos seus pés e assumindo uma postura semelhante à child’s pose do yoga - nesta, ajustam a sua posição no espaço de forma a diminuir a distância entre si e permitir que cada um repouse a cabeça na lombar do colega da frente.

Fotografia: Inês Coimbra

Mais uma vez existe um momento de calma (pontuado apenas por levantares da cabeça e olhares em volta de alguns bailarinos) que é quebrado quando, em uníssono, todos os intérpretes se levantam mantendo, no entanto, a posição da cabeça e tronco e, por conseguinte, a relação entre si. Nesta disposição, o grupo avança em direção à parede que finaliza o arco sendo que a primeira bailarina a deparar-se com esta (Rita Nogueira) abandona a postura e encosta-se a ela, criando um efeito ricochete que resulta numa compressão da fila e uma situação de proximidade espacial entre os intérpretes.

Depois disto, como num acordeão, o grupo descomprime-se e os intérpretes recuam, num cambré, até voltarem a ocupar todo o comprimento do arco.

Fotografia: Joaquim Leal

A dado momento, esta figura é quebrada e os bailarinos rebolam ou caminham em posição de ponte até chegarem a locais específicos na periferia do espaço, à exceção de Gisela Ferreira que se mantém no centro do mesmo realizando movimentos inspirados na postura de cambré e ponte. Esta situação mantém-se enquanto os restantes intérpretes exploram o espaço e os seus objetos (muro, postes e grades), sendo quebrada por um grito de “ORDEM!” de Noeli Kikuchi.

Fotografias: Inês Coimbra

Aí, todos os bailarinos se aproximam do muro e deitam-se de barriga para baixo na posição de “sapinho” com os pés encostados à parede e, à indicação de Noeli (“VAI!”), impulsionam-se para a frente com os pés e mãos, deslizando pelo chão. Isto repete-se mais duas vezes, sendo que na terceira é abandonada a postura de “sapinho” e cada intérprete adota uma atitude corporal baseada numa de três formas de deslocação: carro de fórmula 1, segway, ou caminhada arrastando um carrinho (preconizando a “corrida” da secção 15 - Espelho); desta forma, continuam a progredir até chegarem à linha debaixo do arco, onde abandonam o seu “meio de transporte” e focam a atenção em Pedro Sampaio, que é o último a chegar.

No momento em que Pedro atinge a linha, tomba sobre os seus joelhos e volta a realizar a sequência de movimentos que efetuava na secção 05 (Cortiça 1): um gesto urgente aludindo a um benzer católico, uma queda e a criação de um arco com as costas que leva à elevação das pernas. Tal como anteriormente, esta é repetida várias vezes até que as pernas de Pedro passam para o outro lado, levando-o a realizar uma espécie de cambalhota - isto desencadeia um aplauso entusiástico dos restantes bailarinos, que o observavam atentamente.

Fotografia: Joaquim Leal

À medida que as palmas se vão esmorecendo, Pedro levanta-se do chão, junta-se à linha e, através de um movimento de puxar a corda ou uma dança de estilo barroco, os intérpretes vão se dirigindo para a zona das escadas e iniciando esta nova secção.

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1 1   |   E S C A D A S

Os intérpretes estão neste momento no cimo das escadas a dançar livremente esperando que a linha do arco se desfaça. Uma vez que todos chegam aqui o bailarino que tem a cara tapada desce sentado no corrimão trazendo consigo os restantes bailarinos que ficam no fundo das escadas. Noeli encosta-se à parede na qual se encontram Gisela, Joana e Raquel debruçadas e atentas aos movimentos que esta faz. Noeli percorre com as suas mãos a parede procurando os buracos que estão distribuídos por ela e encontrando um afasta a sua mão da parede, o que desperta diferentes reações sonoras por parte das bailarinas debruçadas na parede e Lara Maia, que se encontra no lado oposto das escadas de Noeli e acompanha o seu trajeto descendo as mesmas escadas. Este fenómeno é repetido até se chegar ao fim da parede. Entretanto é iniciado um dueto entre os dois bailarinos que estão no corrimão. Estes bailarinos encontram-se também em lados opostos e a sua relação é de contraste pois um dos bailarinos apenas se move em cima do corrimão, no entanto a sua parceira percorre a escadaria apenas utilizando a parte de baixo do mesmo.

Fotografia: Andreia Alpuim

Assim que termina a primeira travessia no corrimão todo o grupo inicia a seu percurso em direção ao cimo das escadas. Este percurso está dividido em pequenos grupos: Pedro e Lia sobem as escadas com um dueto cómico e romântico, que utiliza predominantemente o nível baixo; Sofia, Mafada e Noeli sobem as escadas provocando som com os seus pés; Gisela, Raquel e Joana reproduzem o ritmo dos passos do grupo mencionado antes; Lara e Rita Nogueira inicialmente tentam puxar o elevador de pessoas com deficiência, mas após não o conseguirem fazer sobem as escadas de forma precisa e num ritmo constante; Jonathan e Rita Carmo continuam o seu dueto no corrimão até se juntarem ao resto do grupo no cimo das escadas.

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Depois de todos se encontrarem no cimo das escadas, em diferentes linguagens de danças populares (semelhantes a contextos de dança social, urbana, disco, etc), a secção dos ‘Gigantones’ inicia com Lara a aproximar-se de Joana e Raquel. Entre um ritmo de corpos animado e irregular, as intérpretes aproximam-se gradualmente, e formam uma situação de ‘gigantone’. Isto consiste em uma primeira pessoa que se encontra ‘às cavalitas’ (sentada nos ombros) de outra, segunda, enquanto que a terceira dá a mão à primeira - o resultado consiste numa espécie de dois seres distintos (um maior - composto pelas duas primeiras, levado pela do mais pequeno). Esta construção de corpos surgiu como uma espécie de resposta a uma questão que se levantou frequentemente durante o processo - o facto de o local (a Praça) ser monumental ao ponto de os corpos dos bailarinos serem de certa forma ‘engolidos’ pelo espaço. Numa tentativa de criar mais impacto do corpo no espaço, nasceu esta imagem, que pode, posteriormente ser transformada em movimento.

Após a montagem do primeiro ‘gigantone’, este atravessa os corpos dançantes em direção à parede, caminhando calmamente.

Fotografia: Andreia Alpuim

Ao passar pela primeira janela da parede, as três intérpretes olham para a mesma (o que se torna visível, é o seu próprio reflexo) - esta é a deixa para desmontar o ‘gigantone’.

Fotografias: Andreia Alpuim

Segue-se uma sequência, que executada pelas três, atravessa o espaço, rasgando uma linha paralela e próxima à parede. Após a descida de Joana das ‘cavalitas’ de Raquel (com o auxílio de Lara), os três corpos desenvolvem imediatamente para a tal trajetória. Esta é feita através de uma espécie de ‘corda humana’, onde as três de mãos dadas, tentam chegar à instalação de cortiça. Como que em forma de jogo, a de trás só pode largar a mão da do meio, quando a da frente chegar ao seu lugar (a de trás corre para a frente da corda humana, e assim sucessivamente). Cada vez que mudam de lugar, a posição em que se esforçam para se deslocar na direção pretendida, muda. Ora tentam alcançar com um membro superior, ora com um membro inferior, com o tronco, ou até com a cabeça. Numa composição bidimensional de grande dinamismo, onde a tensão, o esforço e a intenção de jogo em equipa são notórias nos corpos, Joana, Lara e Raquel acabam por assemelhar-se a um relevo de um frontão grego. Numa narrativa escultórica, é possível estabelecer este paralelo, dada também a imponência da Praça do CCB. Com a sua monumentalidade, ordem, proporção e harmonia, materializadas por altas paredes de calcário, que recortam um espaço árido naquilo que é a Praça, quase que podemos compará-la a uma construção arquitetónica grega.

Fotografia: Andreia Alpuim

Entretanto, o segundo ‘gigantone’ surge - composto por Pedro, Sofia e Mafalda, no entanto estes mantém-se na situação durante mais tempo. O percurso que fazem também é diferente, dado que este passa apenas pelas linhas de pedra que existem no chão. Estes contornos desenham formas quadrangulares, no solo, pelas quais o ‘gigantone’ se desloca, mudando de direção.

Fotografia: Andreia Alpuim

Depois de vários trajetos percorridos nesta formação, quando estes desfazem o ‘gigantone’, já Joana, Lara e Raquel se encontram nas posições para a secção seguinte.


Enquanto isto se sucede, Gisela, Jonathan e Rita deslocam-se em direção ao primeiro lixo da parede em causa e executam uma sequência de posições e situações várias - Rita empoleira-se em cima do caixote, alterando a superfície do corpo em contacto com o mesmo, Jonathan senta-se ao lado e explora também diferentes abordagens, enquanto que Gisela, próxima de ambos, varia entre várias posições, mas no nível mais baixo (chão). Estes três corpos vão criando diversas imagens, compondo visualmente e interagindo uns com os outros.

Fotografia: Joaquim Leal

Seguidamente, desfazendo a situação anterior, os três formam uma espécie de ‘comboinho’, e deslocam-se paralelamente à parede (mesmo trajeto feito pelo grupo da ‘corda humana’). Bem juntos, e sempre com uma parte do corpo em contacto com o corpo da frente, cada vez que passam por uma janela, param, olham, e trocam o sítio do corpo onde agarram a pessoa da frente (cintura - cotovelos - ombros - cabeça).


Entretanto, Noeli, Lia e Rita C. recorreram aos orifícios presentes na parede das escadas, explorados anteriormente, como estímulo para a sua subida das escadas. Ao chegarem à Praça, muito rente à parede, como que rolam pela superfície irregular, explorando os desníveis da mesma e arrastando-se para a posição da secção seguinte.

Gisela, Rita e Jonathan também, após terminarem o seu trajeto, se arrastam para as posições que se seguem.

Esta parte termina com todos os bailarinos dispostos em linhas, em situação estática e olhando uns para os outros, prontos para o desenrolar da peça.

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1 3   |   J O G O   +   A B C C B

A partir das posições rígidas dos intérpretes surge, inesperadamente, uma pedra preta, que é atirada por Jonathan, para perto do público. Assim que essa pedra fica parada no chão o bailarino que a atirou vai na sua direção mantendo a mesma postura de antes postura. Ao apanhar a pedra volta a atirá-la algumas vezes até que a atira para muito longe e dessa vez corre atrás da mesma. Este último lançamento desencadeia corridas individuais em todos os outros intérpretes com o objetivo de cada um chegar ao centro do seu quadrado do chão da praça. Uma vez nestas posições é iniciado um jogo onde depois de a pedra ser atirada por Jonathan o tempo de ele a voltar a apanhar é o mesmo para que os restantes bailarinos percorram o labirinto desenhado pelos pontos negros dentro de cada um dos quadrados, no entanto devem fazê-lo utilizando formas de locomoção irregulares e ‘fora do normal’. Esta ação é repetida até que todos completem o seu percurso e assim que isto acontece é iniciado o ‘segundo nível’ do jogo.

Neste ‘segundo nível’ ocorrem duas ações diferentes resultantes de duas relações entre intérpretes. As relações existentes são entre Jonathan e Gisela e Rita Nogueira, e entre Joana, Lara e Raquel e os restantes bailarinos.


A relação entre Jonathan e as bailarinas Gisela e Rita Nogueira é mantida através da continuação do uso da pedra. Ao mudar de nível Jonathan corre para a frente da escultura de vidro, que devido ao seu reflexo serve de espelho, e observando que as bailarinas se juntam no mesmo quadrado deixa cair a pedra mais uma vez. Este cair da pedra serve de comando para Gisela e Rita para tentarem tocar em todos os pontos negros presentes no chão desse quadrado. Assim que terminam esta fase Jonathan passa por elas de forma a juntá-los ao resto do grupo.

Fotografias: Joaquim Leal

Enquanto isto acontece Joana, Lara e Raquel deslocam-se para o arco e iniciam um percurso em linha reta pisando apenas os pontos negros e pedras lisas. A particularidade deste trajeto é que a cada ponto negro pisado é enunciada uma letra. Em cada quadrado pelo qual passam as letras ditas são: “ABCCB ABCCB” e entre quadrados é feito um movimento de cintura que deixa as bailarinas com tronco virado para trás. À medida que o destino está mais perto a velocidade com que é dito o texto aumenta e por sua vez aumenta a velocidade com que são dados os passos. Esta é também uma forma de juntar os restantes bailarinos de novo na cortiça devido à relação que estes têm com esta sequência. Quando as bailarinas que dizem o texto cruzam uma linha horizontal imaginária que passa onde esses intérpretes estão, acrescenta-os ao grupo que se desloca pelos pontos pretos dizendo “ABCCB ABCCB”.

Fotografia: Andreia Alpuim

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Após a secção relativa ao ‘ABCCB’, os bailarinos, que se foram deslocando em direção à cortiça, acabam por formar uma linha em frente à mesma, como que esbarrando-se nela repetidamente. Esta situação é interrompida por Gisela, Jonathan e Rita, que acabam por subir para a instalação.

Ao mesmo tempo que se fora formando a linha, Joana, Raquel e Lara juntaram-se também junto a um limite da cortiça, mas noutra face. Raquel e Lara param em frente ao sinal que diz ‘não escalar / do not climb’ e olham-no, enquanto Joana faz o mesmo que os bailarinos da linha, mas em vez de se deparar com a cortiça, enquanto impedimento da sua passagem, depara-se com Raquel e Lara (esbarrando-se nelas repetidamente). As três intérpretes acabam por se resolver, subindo para a instalação, em fila.


Entretanto, Gisela, Jonathan e Rita, virados para o outro lado da instalação de cortiça (zona onde não dançamos), começam a bater palmas, como que aplaudindo algo do lado de lá. Nesse momento, os restantes bailarinos juntam-se a eles, batendo palmas enquanto sobem todos para a instalação e se colocam numa formação. Raquel, Joana e Lara, bem como Sofia, Pedro e Mafalda colocam-se na extremidade da instalação, cada um no seu degrau; Noeli, Rita e Lia sentam-se nalguns dos desníveis da cortiça. As palmas continuam, até que Noeli grita: ‘ORDEM’ - as palmas param.

Fotografia: Joaquim Leal

A partir deste momento, Noeli, Lia e Rita iniciam uma conversa. As bailarinas mencionam a cortiça e o facto de as rolhas das garrafas de vinho serem feitas deste material. O diálogo desenvolve para Baco - o deus do vinho - são feitas referências às Bacantes, e consequentemente é feito um trocadilho, mencionando o termo ‘bacanas’/’bacanos’. Neste momento de texto, a interação com o público é recorrente.

Fotografia: Inês Coimbra

Enquanto isto se sucede, Joana, Lara, Raquel, Pedro, Sofia e Mafalda, na mesma movimentação extremamente lenta, marcante na ‘Cortiça 1’, caem pela cortiça abaixo, rebolando pelos desníveis da instalação.

Fotografias: Joaquim Leal e Inês Coimbra

Ao chegar à outra extremidade da instalação, Joana, Lara e Raquel, permanecem deitadas (posição a qual terminou o rebolar) numa qualidade suave e delicada, como de fossem leves ao ponto de uma brisa ser o suficiente para mover os seus membros flutuantes.

Fotografia: Joaquim Leal

De seguida, Gisela, Jonathan e Rita saem da cortiça para se deslocarem para perto da escultura - dando início à secção do ‘Espelho’.

Isto compõe a deixa para que Joana, Lara e Raquel interrompam a sua suave dinâmica, levantando-se firmemente e saindo em fila da instalação.

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1 5   |   E S P E L H O

A secção do espelho tem início assim que Gisela, Jonathan e Rita Nogueira saem da cortiça e se dirigem para a escultura de vidro. Devido a se poder ver o reflexo no vidro passou a ser tratado como espelho. Uma vez à sua frente e em fila os bailarinos usam o estímulo de imitarem os movimentos uns dos outros usando o reflexo como único meio de ligação. Algures nessa sequência Jonathan larga a pedra uma última vez o que dá início a um trajeto de circulação em volta da escultura. Após ser dada uma volta completa os bailarinos preparam-se de costas para o espelho em posição de corrida. Estes três intérpretes iniciam uma corrida usando posições corporais retiradas de vários meios de transporte de pessoas e/ou mercadoria no CCB (carro, segway e transportadoras). Este momento cómico termina com os bailarinos em linha horizontal em posição preparada para o momento seguinte.

Fotografia: Andreia Alpuim

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1 6   |   D A N C I N H A

Ao terminar a corrida cómica, os três bailarinos (Gisela, Jonathan e Rita Nogueira) iniciam uma ‘dancinha da vitória’ de pequenos bounces e movimentos de braços, por terem concluído o percurso. Esta movimentação leva os bailarinos em direção ao espelho novamente, mas acaba por contagiar todo o grupo de bailarinos, que se encontram neste momento dispersos nos seus quadrados em volta da escultura. A partir deste momento a ‘dancinha’ passa a ser livre e a ocupar toda a primeira metade da praça.

Fotografias: Joaquim Leal

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1 7   |   S A Í D A   -   C O R R I D A S

Rompendo completamente com a secção anterior, a última parte constitui o grande desfecho da peça. Funcionando quase como um clímax, este momento como que unifica o grupo, criando uma conclusão para a narrativa.

Gisela, Jonathan e Rita são interrompem, de repente, as ‘dancinhas’ para iniciar as corridas. Os três bailarinos (que se encontravam entre a escultura (espelho) e a instalação - zona central da Praça - despoletam corridas por todos os intérpretes. Estas corridas têm determinadas regras e condições - cada bailarino tem um trajeto a percorrer. Cada intérprete tem de:

  1. dar três voltas ao quadrado respetivo (onde na seção anterior estivera a contornar com as ‘dancinhas’);
  2. dar uma volta à escultura dos ‘espelhos’, uma volta ao ‘cogumelo’ e passar por cima da instalação - sendo que estas três fases não têm ordem obrigatória;
  3. dar mais duas ou três voltas ao quadrado da outra metade da praça (mesmos quadrados ocupados durante a secção do ‘Jogo’);
  4. voltar a fazer o ponto 2 - com, mais uma vez, ordem livre;
  5. dar voltas ao seu quadrado inicial das corridas até estarem todos os intérpretes nesta zona;
  6. finalmente, todos juntos, rasgam o espaço em direção à porta dos artistas (por detrás do café) - saindo da Praça e desaparecendo da vista do público.

Numa fase inicial das corridas, os bailarinos partem com as mãos juntas num dos lados da anca, de maneira firme, sólida e estável, assumindo uma locomoção ‘atlética’ e assertiva. Gradualmente, esta corrida vai-se tornando cada vez mais extenuante, pelo que os corpos começam a demonstrar o cansaço. A firme e assertiva locomoção torna-se, aos poucos, vacilante. Esta exaustão traduz-se em eventuais sons que vão surgindo pelo espaço. Os corpos soltam gritos, ‘gemeres’, interjeições e frases soltas e curtas que refletem e expressam a fadiga. As posições de braços vão variando, adquirindo várias formas improvisadas pelos intérpretes - mãos na cabeça, mãos no peito, braços soltos, braços no ar, etc. Neste auge, tanto os sons, como os braços e a forma de correr, são opções dos bailarinos, no momento.

Num intenso crescendo, múltiplas manchas vermelhas invadem a Praça do CCB. A energia fura o espaço, corpos cruzam-se exaustos, e os tecidos esvoaçam deixando rastos de cor e de som. Estes membros de um todo juntam-se, finalmente, para desaparecer atrás das imponentes paredes do Centro Cultural de Belém.

Fotografias: Andreia Alpuim

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E S T R U T U R A

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