I N T R O D U Ç Ã O

O Centro Cultural de Belém, cuja construção foi decidida em 1988, é uma das obras mais emblemáticas da arquitetura contemporânea portuguesa e um dos expoentes da vivência cultural nacional. Concebido segundo o projeto dos arquitetos Vittorino Gregotti e Manuel Salgado, este complexo ocupa uma área de 97 mil metros quadrados distribuídos por seis hectares.

É principalmente nos espaços ao ar livre do CCB que arquitetura e geografia se conjugam com uma especial sensibilidade, permitindo a permeabilidade e o movimento do público e tornando-se um espaço vivo onde se pode usufruir das diferentes formas de expressão contemporânea.

Entre eles está a Praça CCB, um enorme átrio com uma área de 1140 m². Ela distingue-se dos outros espaços pela sua aridez, onde o uso da pedra (a mesma que outrora fora utilizada na construção dos Jerónimos, e em toda a Lisboa setentista) naturalmente se impõe, criando um ambiente silencioso e luminoso, quase como um deserto ao entardecer.

Seguindo a tradição de acolher uma construção efémera durante o verão, o CCB tem promovido uma iniciativa nomeada “Uma Praça no Verão” que conjuga uma instalação arquitetónica de cortiça na Praça CCB com projeções de filmes e documentários.

Em 2019, apresenta-se a obra concebida pelo Atelier Barbas Lopes, em parceria com a Corticeira Amorim, intitulada “Jardins de Pedra”, conferindo à praça uma topografia inquieta, reconfigurando o modo como o público habita o espaço. Para tal, foram usados 1900 blocos de aglomerado de cortiça expandida através da qual a arquiteta Patrícia Barbas pretendeu desenvolver uma ligação criativa entre os vários espaços do edifício, dando corpo a um espaço lúdico de recreio entre as formas geométricas construídas.

Neste ano, também habitaram o espaço alguns alunos finalistas da Escola Superior de Dança, com um site specific no âmbito da unidade curricular de Projeto VI. As apresentações aconteceram nos dias 13 e 14 de julho com sessões às 11h00, às 14h30 e às 16h30, ocupando toda a Praça CCB. Esta atuação ganhou o nome de N a C o p a D a D a n ç a, e foi orientada pelo professor Francisco Pedro.

De forma a elucidar, site specific consiste em uma performance concebida para e condicionada pelas informações de um local em particular, considerando a localização, a história, a função, a arquitetura e o clima, tornando-se, assim, inseparável daquele lugar e tendo sentido apenas naquele contexto. Além disso, um trabalho em site specific tem de abranger, coabitar e lidar com diversos fatores existentes, casualidades, acidentes e incidentes.


ver bibliografia

Câmara Municipal de Lisboa. (2019). Centro Cultural de Belém. Consultado em março 26, 2019, em http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/centro-cultural-de-belem.

Centro Cultural de Belém. (n.d.). Espaços ao Ar Livre. Consultado em março 27, 2019, em https://www.ccb.pt/Default/pt/Visite-nos/EspacosAoArLivre?a=76.

Centro Cultural de Belém. (n.d.). Historial. Consultado em março 26, 2019, em https://www.ccb.pt/Default/pt/Inicio/Institucional/Historial.

Pearson, M. (2010). Site-specific performance. New York: Palgrave Macmillan.

Pires, E. G. (2019, julho 10). Verão com cortiça na praça do CCB. Centro Cultural de Belém. Consultado em julho 16, 2019, em https://www.imagensdemarca.pt/artigo/verao-com-cortica-na-praca-do-ccb/.

Risco. (n.d.). Centro Cultural de Belém. Consultado em março 26, 2019, em https://www.risco.org/projects/centro-cultural-de-belem_16.


P R O C E S S O   D E   T R A B A L H O   I N I C I A L

Para a construção dessa performance, o grupo começou por dividir-se em trios, e cada um separadamente fez uma exploração do espaço, procurando evidenciar cada detalhe presente na praça, desde as pedras e desenhos do chão, passando pela forma das paredes e janelas, até às grandes esculturas e instalações ali presentes. Conforme a indicação do professor, eram criadas propostas de movimentos e deslocamentos que apresentassem e evidenciassem as diversas partes daquele local.

Posteriormente, os quatro trios uniram-se de forma a criar dois grupos de seis pessoas. Nesta fase, cada grupo elaborou um percurso por toda a praça conjugando todos os materiais desenvolvidos até então, não podendo excluir nada do que fora apresentado à parte.

Apenas numa etapa final, os doze intérpretes juntaram-se para combinar todo o material e estruturar a peça. Para isto, o professor interveio e deu indicações de qual poderia ser o percurso a fazer e como compor as numerosas ideias que haviam surgido no decorrer dos ensaios. O trabalho acabou por ficar com o formato que é apresentado a seguir (ver Estrutura) e teve a duração de aproximadamente 45 minutos.


F I C H A   A R T Í S T I C A

C O O R D E N A Ç Ã O   C O R E O G R Á F I C A

Francisco Pedro

C R I A Ç Ã O   E   I N T E R P R E T A Ç Ã O

Gisela Ferreira, Joana Franco, Jonathan Taylor, Lara Maia, Lia Abreu, Mafalda Tereno, Noeli Kikuchi, Pedro Sampaio, Rita Carmo, Rita Nogueira, Sofia Portugal e Raquel Silveira

D U R A Ç Ã O

45 min. (aprox.)

D A T A   E   L O C A L

Centro Cultural de Belém, Praça CCB
13 e 14 de Julho
11h00, 14h30 e 16h30