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encontros corporais

Não há tempo – apenas evolução dos corpos e das formas, em loop. Há tempo (talvez) para ficar, e olhar.
Estamos três – nós e a caixa. Pessoas descontinuam. Permanecem. Leem. Apreendem. Ideiam, a partir das transições corporais e das imagens que vão ficando na memória.
As imagens existem, em movimento. As tensões corporais surgem, a seguir. E as leituras ficam, consequentemente.
A partilha do espaço resulta numa convergência e consequente tensão espacial.
O desenho do corpo e o seu recorte são realçados através da pausa viva.
Por meio de ritmos e composições visuais, assentes no contraste entre a organicidade das formas do corpo humano e os limites geométricos do objeto, a ideia de duplo é recortada pelos (des)níveis, os limites e as superfícies que permanecem.

BIOGRAFIAS

Joana Franco (1999) concluiu o ensino secundário em 2016, na Escola Artística de Soares dos Reis, no curso de Design de Comunicação, com especialização em Multimédia. Nesse mesmo ano, ingressou na Escola Superior de Dança, na Licenciatura em Dança, a qual concluiu em 2019. Nesse contexto, apresentou as peças Dá-se a mão e elas levam o braço e encontros corporais: exposição temporária, uma co-criação com Lara Maia. Em 2018, estudou na University of Chichester, no Reino Unido, através do programa Erasmus.
Recentemente, fez parte do Júri Escolas do Festival InShadow, apresentou a performance encontros corporais, com Lara Maia, na inauguração da 1ª Bienal da Fábrica do Braço de Prata, participou no Atelier de Criação por Victor Hugo Pontes e fez parte do grupo ENTRAR, uma iniciativa da Culturgest. Atualmente, encontra-se no processo de criação da peça Não era nada disto, o amor, em co-criação com Lara Maia, com apoio da Escola Superior de Dança e dos Estúdios Victor Córdon, e integra a equipa criadora da revista cultural Merge – The Social Magazine.

Lara Maia, Londres, 1998. Bailarina e coreógrafa. Termina o curso básico de música (5º grau) pelo conservatórioCCM/ARTAVE (2013). Estuda Artes Visuais no ensino secundário (2016). Completa o nível Advanced 1 em técnica de dança clássica (RAD) e dança moderna (ISTD). Integra as peças O Coiso de Francisco Pedro (2017), Porque é que o céu é azul? de Liliana Garcia (2018), A Sheik’s Discourse inFragment de Marisa Zanotti (2018) e A Filha do Tambor-Mor - encenação de António Pires e coreografia de Aldara Bizarro (2019). Termina a licenciatura pela Escola Superior de Dança (2019), tendo contactado com profissionais como Sylvia Rijmer, Amélia Bentes, Maria Ramos, Patrícia Henriques, Jácome Filipe e Tom Colin. No âmbito do programa Erasmus, frequenta a University of Chichester – UK (2018), onde estuda com Paula Borges, Caroline Waters e Marisa Zanotti. Em contexto de cursos e workshops, forma-se com Angus Balbernie, Marco da Silva Ferreira, Rafael Alvarez, Victor Hugo Pontes, entre outros. Colabora, enquanto bailarina/performer, em vídeos de Filipa Alves - Pião (2018) e BEING UNCANNY (2019). Juntamente com Joana Franco, apresenta a co-criação encontros corporais, na Bienal da Fábrica (2019) e, presentemente, encontram-se em processo criativo da peça Não era nada disto, o amor. Faz parte do projeto ENTRAR (edição 2019/2020), na Culturgest.

FICHA TÉCNICA

Inauguração da 1ª Bienal da Fábrica
Fábrica do Braço de Prata, novembro 2019
Criação e interpretação: Joana Franco e Lara Maia
Registo de imagem: Joaquim Leal

"Foi no contexto académico, e no seguimento dos primeiros solos, que, juntamente com Joana Franco, desenvolvemos encontros corporais : exposição temporária (2018). Esta obra fora inicialmente pensada para o contexto de palco, tendo mais tarde sido recriada com o intuito de se apresentar num museu/galeria de arte.
A versão original é composta por um encadeado de situações corporais coreográficas, tendo em conta uma única perspetiva do público. O movimento resultou de explorações derivadas da ideia de desconforto físico e das possíveis adaptações do corpo humano a um espaço. Trata-se precisamente de uma exposição temporária de encontros corporais. Os dois corpos relacionam-se com o espaço e experienciam diferentes sensações à medida que interagem progressivamente com os limites, as reentrâncias e saliências, as texturas e os níveis do meio que os rodeia, numa semi-reta temporal.

Em 2019 surgiu a oportunidade de adaptarmos este trabalho para a Bienal da Fábrica (Bienal de arte da Fábrica do Braço de Prata), passando a enquadrar-se na categoria de
performance art. Passamos a focar-nos na secção inicial da peça, em que os dois corpos coabitam uma caixa sem fundo. Através de uma sequência de situações físicas, são criados ritmos e composições visuais. A sequência é a base da performance, mas a repetição da mesma em loop dá espaço para que esta se vá transformando e sofrendo mutações ao longo do tempo. A energia concentra-se no contacto entre os três corpos, e o espectador pode circular e mudar de perspetiva, podendo percecionar os acontecimentos de onde preferir. As noções de que o público tem uma escolha e de que a perceção e apreensão de certa obra são também determinadas pelas opções do espectador, suportam de alguma forma este trabalho.

A obra passou a assentar muito na ideia de habitar um espaço cuja forma é somente definida pelos seus limites. Os limites da caixa desenham a sua forma e dimensões. Os nosso corpos, igualmente definidos pelos seus limites, movimentam-se em interação, num mesmo lugar, onde a pele - o limite dos limites - funciona como impulsionador sensorial de perceção física.
"

Lara Maia, em Merge - The Social Magazine, 3ª edição, julho 2020

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